Novo ano, nova resolução para Os Medos

Por Tiago Cardoso


            Dia de Ano-Novo de 2019. Muda-se de ano, fazem-se resoluções novas, e Os Medos também as faz. Aliás, neste artigo breve, mas o mais conciso possível aponto uma grande mudança na franquia que decidi em conjunto com os meus 3 colaboradores-ilustradores nestes últimos dias de paragem total no blogue e de paragem parcial na página de Facebook, dias esses que serviram, tal como tinha dito na página, para reflexão sobre o que faremos n’Os Medos. Por favor, leiam com atenção isto que escrevo, e do meu coração, pois estou a ser sincero convosco, mesmo que seja desagradável o que esta aqui escrito.
            Excecionalmente para este artigo, não é preciso clicar em «Ler mais →» para ser possível lê-lo todo, porque… Este é o último artigo a ser publicado no blogue, pelo menos durante algum tempo, e, portanto, serve a partir da sua publicação como informação para quem acedê-lo através do link geral! Basicamente decidimos encerrar as atividades do blogue oficial da franquia, pelo menos durante algum tempo!
            E porque decidimos tomar decisão tão drástica? Isso prende-se com 3 motivos:
            - Tenho-me transtornado com a aparentemente evidente desformatação do blogue, em que, por ex., o espaçamento entre as linhas do primeiro parágrafo de uns artigos é diferente em relação a outros, algo que não consigo resolver;
            - Quero fazer umas modificações em relação aquilo que imaginei no universo dos Medos com vista a torná-lo mais lógico, modificações essas que seriam trabalhosas de fazer ao longo dos mais de 50 artigos já publicado (essas modificações são basicamente a franquia como um todo passar a ser uma paródia carinhosa do folclore português, e os Medos serem então uma parte imaginada por mim desse folclore, reaparecendo assim alguns dos Medos já oficialmente revelados);
            - Quero fazer umas modificações em relação aquilo que imaginei no universo dos Medos com vista a torná-lo mais lógico, modificações essas que seriam trabalhosas de fazer ao longo dos mais de 50 artigos já publicado (atenção que a maior parte do que escrevi até agora sobre esse universo fictício se mantém, incluindo os 72 Medos e as suas próprias características);- Quero ganhar dinheiro com a ficção da franquia juntamente com os meus colaboradores-ilustradores. Eh, pá, a sério, lamento muito, eu sei e compreendo que a maior parte de vocês, nosso público, quer ver disponível gratuitamente aquilo que escrevo – afinal, eu também confesso que quero ver conteúdo online sem o pagar! –, e acreditem que isto também é difícil para mim; porém, eu tenciono ser, se possível, um escritor de ficção profissional, e gostaria de começar a receber dinheiro por aquilo que escrevo; além disso, não é só por mim que faço isto, mas também pelos meus colaboradores-ilustradores, uma vez que tenho estado a pagar-lhes do dinheiro que já possuo de antemão que recebi de outras maneiras, e seria bom pagar-lhes com dinheiro com receberia pela ficção escrita que produzo. Em relação ao método de ganhar dinheiro através da escrita criativa para Os Medos, tenho 2 ideias: numa delas seriam vocês a pagar para lerem a ficção da franquia através da Internet, e a outra seria eu escrever essa mesma ficção para uma dada entidade que tenho em mente, que me pagaria então. Prometo que durante Janeiro de 2019 saberão qual das ideias e como será posta em prática através da página de Facebook oficial d’Os Medos (mantém-se para continuarmos a mostrar o que estamos a fazer, incluindo as ilustrações oficiais dos Medos, que continuarão a ser colocadas lá), quem sabe, não prometendo nada, se não até meados do mês!
            Mas atenção: o blogue não será eliminado! Desde há uns anos para cá que não elimino blogues que criei e para os quais deixei de trabalhar – prefiro deixá-los na Internet para quem os descobrir e quiser ver o que produzi e quais eram as minhas ideias na altura. O que já está aqui escrito pode ficar como uma espécie de protótipo do que imaginei a nível de ficção para a franquia e os meus colaboradores-ilustradores (até prova em contrário) aceitaram. Também, se calhar, o blogue não cessará completamente as suas atividades (daí estar escrito em cima por 2 vezes «pelo menos durante algum tempo»): volta e meia poderei escrever artigos de não-ficção como este para serem publicados em Apontamentos de Autor e assim ficarem saber alguns dos meus planos (e não só, se algum colaborador-ilustradores quiser também escrever um artigo desses) para a franquia.
            Peço desculpa em meu nome e no nome dos meus colaboradores-ilustradores se vos aborreci e/ou desiludi com esta resolução tomada para a franquia, ainda para mais com aquela entrevista na Rádio Miúdos e aquele anúncio a darem conhecimento deste blogue em Dezembro de 2018 – achamos que esta mudança é a melhor opção. Esperamos que possam-na compreender e continuar a seguir Os Medos, para o qual iremos continuar a trabalhar e melhorar no que for possível, e agradecemos a vossa atenção prestada ao nosso trabalho desde a criação da franquia. E acreditem: também fica prometido da nossa parte para Janeiro de 2019 a estreia, de uma maneira ou de outra, da 1º história de facto d’Os Medos e a Suas Aventuras (Ou Desventuras!).
            Por fim, esperamos que esse ano seja em grande não só para nós, equipa d’Os Medos, como também para vós!



            PS de edição 1_ Desculpem, mas afinal, ao contrário do que tinha escrito anteriormente, boa parte dos Medos e das suas características não aparecerão nesta reinicialização da franquia.
            PS de edição 2_ Foi criado um separador neste blogue que dá acesso à minha conta de Wattpad, onde são publicados os livros da coleção oficial d’Os Medos.

Medo #34: Almionária, a Lagarta Terrível

            Antigamente havia uma mulher que era viciada em roubar madeira, principalmente pinho, nas matas dos outros.

            Mas esse transtorno que causava não é nada comparado com o terror que hoje causa em certos sítios florestados principalmente com coníferas: ajuda as processionárias-dos-pinheiros saídas dos ninhos a chegarem a bom porto (debaixo de terra, para ser mais exato), e tocar nas chamas que ardem nas suas protuberâncias não é nada além de suicídio puro!!

Medo #33: Nuventesma, a Guia dos Gafanhotos

            Em vida adorava roubar fruta e legumes aos seus vizinhos. O seu vício era tanto que, por mais porrada que levasse dos vizinhos que a descobriam e por mais pena de prisão que tivesse por isso, não parava de furtar produtos agrícolas!

            Agora monta uma nuvem de gafanhotos vorazes que usa contra as culturas agrícolas dos vivos… E o Formigueister!!

Medo #32: Formigueister, o Formigueiro Vivo

            No passado o seu passatempo predileto era ir de encontro a pessoas mais fracas do que ele, agarrá-las, metê-las bem seguras em cima de um formigueiro, e vê-las a serem picadas pelas formigas!

            Atualmente ele próprio é um repositório de formigas agressivas que usa contra os vivos… E a Nuventesma!!

Grupo XIV – Grupo dos Controladores de Insetos

            Os Medos que constituem este grupo controlam mentalmente insetos vivos ou almas de insetos para obterem o seu tipo de alimentação principal, mas também para outras funções.

Dicas para se ser um bom caçador de Medos

            Como mostramos anteriormente, a caça aos Medos é uma atividade interessante e entusiasmante para se aprender sobre o mundo dos Medos e o que o envolve, mas que também pode acarretar sérios riscos para a integridade física e psicológica. Se vocês quiserem ser caçadores de Medos verdadeiramente conscientes, recomendamos muito que sigam as dicas que deixamos a partir de agora.

Os caçadores de Medos

Um retrato geral de pessoas normalmente jovens que partem ao encontro dos Medos e que arriscam muitas vezes a vida para estarem cara a cara com eles com o intuito de lhes pedirem… Um «autógrafo» (!) – uma assinatura num papel que abre a porta a uma relação de proximidade única entre pessoas e Medos!


            Há quem os chame destemidos, corajosos, audazes, geniais; há também quem ache que são idiotas, líricos, loucos, suicidas – aliás, existem mesmo pessoas que os elogiam e os criticam assim ao mesmo tempo! Mas uma coisa é certa: é graças ao trabalho basicamente carola, mas bastante exigente dos caçadores de Medos que muito do que se sabe atualmente sobre essas criaturas está longe de voltar a correr o risco de cair no completo esquecimento e está também em constante atualização.

Benzeres

A aldeia abandonada que se tornou a capital designada dos Medos


            Era uma vez uma aldeia. Uma aldeia que se situa num vale, frequentemente enevoado, de uma serra com vista para o mar, junto a um pequeno rio atravessado por uma ponte da Antiguidade à entrada da povoação. Uma aldeia que fica no meio de tudo: situa-se entre o Litoral e o Interior, entre o Norte e o Sul, entre uma área rural e a área urbana de uma capital de distrito; em suma, pode-se dizer que essa aldeia existe na fronteira de todas as divisões territoriais imaginadas ou seja, encontra-se mesmo no centro dos centros. O seu nome? Benzeres. Um mistério toponímico interessante, mas também sugestivo.

Medo #21: Mamã Ossa, a Grande Protetora das Crianças

            Antigamente havia uma mulher solteira e sem filhos que gostava muito de cuidar de crianças, e sabia fazer isso muito bem. Sentia que tinha de fazer o melhor pelo bem-estar das crianças que estavam à sua guarda, dentro e fora do orfanato onde trabalhava, e fazia de tudo para as acarinhar e proteger do mal dirigido a elas, ao ponto de muitas vezes enfrentar os seus superiores se fosse necessário.

            Agora, já como Medo, ainda continua a cuidar de crianças com gosto, não lhes fazendo mal e até mesmo sendo para elas uma exímia guardiã, principalmente das que estão perdidas ou desamparadas.

Grupo XVIII – Grupo Marwo

            Esquivas, deslumbrantes, sensuais… E perigosas (nem todas, vá)! Esta costuma ser a caracterização das Medos que formam este grupo, que costumam estar particularmente ativas durante a noite de São João.

Medo #47: Marwxúria, a Dama Lasciva

            Outrora era viciada em sexo, de tal maneira que tinha relações sexuais com qualquer homem quando, onde e como quisessem e pudessem!

            Ainda hoje mantém o encanto sensual que tinha, encanto esse que usa para seduzir os homens com os quais se diverte… E lhes suga a energia!!

Medo #31: Sombreeira, a Líder dos Fantasmas de Lobos

            Em tempos idos havia uma rapariga misantropa que, sem ter estado numa faculdade ou universidade, adorava estudar ao ar livre os animais selvagens. Os seus animais preferidos eram os lobos, sendo que se tornou amiga de uma alcateia e passou a viver com os lobos que a integraram… e como eles! Conheceu a morte juntamente com os seus amigos lupinos num fojo ao tentá-los proteger – a versão oficial é que morreu por engano, mas há quem diga que foi propositadamente morta porque «já não era gente, era bicho!»

            Atualmente lidera como Medo os seus lobos, tornados fantasmas desde o dia da sua morte, contra os azarados que se cruzam com ela e a sua alcateia fantasmagórica, numa espécie de vingança sobrenaturalmente dentada contra a Humanidade!

Medo #69: Motodelouca, a Zorra Motoqueira

            No passado era motociclista, e com muito gosto! Era viciada em percorrer km e km de estrada com as suas motorizadas – tinha quantas podia ter, de todos os géneros e feitios! –, fosse que estrada fosse, desde que pudesse por lá passar com os seus veículos. Guiar motorizadas era o que lhe estava no sangue.

            Atualmente ainda percorre o mundo, este mundo, em cima de uma motorizada, pois continua a ser assim que experimenta a liberdade total… E radical!

Medo #61: Soc'-à-Toa, o Esmurraçador Geométrico

            Em vida era um professor apaixonado pela matemática, especialmente o ramo da geometria, e o que mais gostava de fazer era ensinar essa ciência importante aos outros, algo para o qual tinha vocação. Infelizmente, foi colocado sempre nas piores escolas, onde os alunos pouca ou nenhuma vontade tinham em aprender esse «bicho-de-sete-cabeças», para sua grande frustração! Mas, ainda assim, recusava-se a ver o estado em que estava a sua vida profissional e resignava-se – era assim que era, então, pensava, era assim que tinha de ser!

            Hoje descarrega essa frustração ao distribuir socos… Geometricamente ao acaso, e com probabilidade aleatória de acertar nos alvos!! E continua cego, só que de outra maneira: uma venda é parte do seu corpo atual!!

Grupo IX – Grupo das Maldições

            Este grupo é composto por Medos que lançam maldições quando interpelam pessoas para se alimentarem.

Medo #19: Maldigueiro, o Horror dos Olhos Malditos

            Outrora era um proprietário de um terreno agrícola muito egoísta e arrogante que desfrutava recusar a partilha da comida que tinha, que não era pouca, com outras pessoas e animais que lha pediam – nem adiantava suplicar-lhe! – e mandá-los bruscamente embora de mãos a abanar… e barriga vazia!

            Ironia do destino: tornou-se num cão igual a muitos dos que cruelmente negou comida e escorraçou!!

Grupo XII – Grupo das Junções Com Outros Seres Vivos

            Os Medos que formam este grupo eram em vida pessoas bastante sentimentalmente ligadas a um ser vivo de outra espécie, sendo que ambos morreram ao mesmo tempo por coincidência e as almas deles fundiram-se enquanto as pessoas em causa se estavam a transformar-se em Medos para se tornarem nas criaturas que andam por este mundo nos dias que correm.

Medo #29: Fusidrão, o Cão... E Pastor

            Dedicar-se à pastorícia, cuidar das suas ovelhas e cabras, fazer e vender produtos derivados do gado ovino e caprino que tinha… Era aquilo que mais gostava de fazer antigamente, na companhia do seu fiel e estimado cão de guarda.

            Cão e pastor fundiram-se na morte, e são na atualidade uma só criatura que ainda guarda, ou pelo menos ajuda a guardar, rebanhos de ovelhas e de cabras de vez em quando.

Grupo X – Grupo dos Guardiões

            Este grupo é constituído por Medos, todos Medos de Terra, que cuidam de alguma coisa e as protegem do eventual mal que lhe pode acontecer, tudo isso ao longo do dia com muito gosto.

Medo #23: Galhinhos, o Cuidador das Plantas

            Em vida era um botânico realmente apaixonado pelas plantas: estudá-las e cuidar delas, de preferência ao ar livre, era aquilo em que passava a maior parte do tempo.

            A sua paixão foi tão grande que se tornou numa criatura metade homem, metade árvore que é hoje um exímio guardião da flora.